III SEFELI
Seminário Formação de Professores e Ensino de Língua Inglesa

5 a 7 de outubro de 2015
Universidade Federal de Sergipe
São Cristóvão, Sergipe, Brasil

 
 

Acesse aqui os resumos das comunicações.

Palestras

DESCOLONIZAR A ÉTICA: JUSTIÇA PELOS CAMINHOS DA NÃO-VIOLÊNCIA
Cláudia Maria Fernandes Corrêa (UNIR)

Se a verdade é violenta, ela não representa o outro. A partir dessa premissa, quando voltamos nosso olhar para a história da diáspora africana para as Américas, não podemos abandonar um questionamento que acompanha todos aqueles que nas Américas chegaram e seus descendentes: qual a perspectiva adotada na construção da História destes povos? Nota-se que há um silenciamento que interrompe tal questão, suprimindo discursos alternativos, isto é, a presença de outros olhares, de outras histórias ditas menores e relegadas a um lugar de somenos importância. No entanto, estas histórias silenciadas de forma violenta, quando tomadas em conjunto, tem uma dimensão ética, nos termos propostos pelo filósofo Gianni Vattimo (2003), quer seja, descolocar a ética do Outro para os outros, direcionando-a a uma instância política nos moldes propostos por Jacques Rancière (2013; 2009) que lança luz àquela parcela dos sem-parcela do sociedade. Voltar-nos-emos, neste sentido, para obras em prosa e poesia de escritoras afro-americanas e afro-brasileiras que empreendem o diálogo com a historiografia oficial para que seja possível a abertura de caminhos que levem a sociedades mais justas.


PARA ALÉM DAS QUESTÕES LINGUÍSTICAS: LETRAMENTO PARA DIFERENÇA E FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE LÍNGUA
Dánie Marcelo de Jesus (UFMT)

Nesta apresentação, procurarei argumentar favorável à revisão da formação do professor em relação à diversidade. Como docente, no curso de Letras, deparei com número expressivo de discentes que se manifestavam com identificações não ortodoxia de sexualidade. Contudo, percebi de imediato que meus alunos traziam histórias marcadas pela violência física e psicológica. Eles também, na qualidade de futuros professores, pouco sabiam como lidar com essa questão. Diante desse contexto, procurarei me pautar nas seguintes questões: De que forma uma discussão educacional sobre sexualidade poderia alterar a biosfera sexual da escola e do curso de Letras? Será que o curso de Letras reforça um discurso hegemonicamente discriminatório? Buscarei ferramentas teóricas dos estudos sobre gênero, aliadas à perspectiva dos multiletramentos e letramento crítico com a finalidade de apresentar aquilo que designo de letramento para a diferença.


O QUE REVELAM AS NARRATIVAS SOBRE A FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE LÍNGUA INGLESA ?
Diógenes Cândido de Lima (UESB)

A formação do professore de língua inglesa (LI), no Brasil, tem sido incumbência, especificamente, das universidades. São elas que, supostamente, são capazes de realizar uma formação concreta, prática e adequada às necessidades de atuação dos docentes, permitindo, assim, uma maior integração dos conhecimentos teóricos com a prática e possibilitando, portanto, a realização de um trabalho com segurança e competência. No entanto, o que se percebe é que a grande maioria desses programas tem falhado em proporcionar aos seus alunos uma educação de qualidade, principalmente no que diz respeito ao comando da língua-alvo e ao domínio de métodos e técnicas de ensino e aprendizagem. No intuito de diagnosticar eficientemente esses entraves, que interferem na boa formação dos professores de LI, venho conduzindo uma pesquisa, de caráter longitudinal, com alunos egressos e formandos do Curso de Letras Modernas de uma universidade pública da Bahia. A pesquisa, de base etnográfica, vem sendo conduzida por meio de narrativas, elaboradas pelos participantes, versando sobre questões relacionadas à sua trajetória durante a formação docente e como essa formação tem influenciado em sua atuação profissional. Optou-se pela pesquisa narrativa por entender que, por meio dela, podemos fazer com que os nossos alunos reflitam sobre sua aprendizagem e possam, com isso, reconstruir os seus conhecimentos, tornando sua prática pedagógica mais enriquecedora, produtiva e consciente. Ademais, essas descrições de vivências e relatos autobiográficos podem possibilitar soluções para problemas específicos, uma vez que retratam o comportamento do aprendiz, bem como suas dimensões cognitivas, afetivas, sociais, políticas, dentre muitas outras. Os resultados contidos nas várias narrativas analisadas demonstraram a profundidade da articulação dos problemas, que vão das esferas acadêmica, metodológica, curricular, física, até as de ordem política, financeira social e administrativa. Ao final, os informantes apontaram inúmeras sugestões para um redirecionamento do Curso de Graduação em Letras, a fim de atender melhor às suas demandas.


ESTUDANTES E EDUCADORES COMO RESPONSÁVEIS PELA FORMAÇÃO CRÍTICO-COLABORATIVA DE EDUCADORES
Fernanda Liberali (PUC-SP / CNPq / Marie Curie Actions)

Esta apresentação tem como objetivo discutir o conceito de formação crítico-colaborativa (MAGALHÃES, 2011; ENGESTRÖM, 2011; HILLMAN, 2013; ROSALES, 2013; LIBERALI, 2013) em um projeto de formação de formadores que tem como sujeitos: pesquisadores, diretores, coordenadores, professores e estudantes, aprendendo como se tornarem formadores. Para isso, será apresentado um projeto de intervenção com escolas públicas e privadas, cuja proposta é repensar o currículo escolar para conceber o trabalho com conhecimentos múltiplos na escola (TORRES SANTOMÉ, 2003; SANTOS, 2008). Esta é uma proposta de intervenção em que os pesquisadores atuam junto a um grupo de educadores e estudantes na discussão, elaboração, construção, implementação e reelaboração de propostas de transformação curricular. Tem sido realizado, a partir do desenvolvimento do Projeto DIGIT-MED Brasil (LIBERALI, 2013), desenvolvido em 10 escolas de São Paulo e de Ceará. Os dados têm sido produzidos e coletados por meio de gravações, em áudio e vídeo, notas de campo das atividades do projeto e de cópias de materiais construídos pelos participantes. O material multimodal é descrito, analisado e interpretado por meio de uma perspectiva dialógico-enunciativa. Nesta apresentação, focalizarei as (novas) formas de participação vividas por cada um dos envolvidos no projeto durante os workshops em 2013, 2014 e 2015. Nessa análise, discutirei como essas formas de participação permitem compreender o caráter crítico e colaborativo em desenvolvimento nesse contexto.


A LITERATURA COMO MEDIADORA DE EPISTEMOLOGIAS SEM PRÉ-CONCEITOS A PARTIR DE DISCUSSÕES SOBRE GÊNERO, RAÇA E PODER
Flávia Benfatti (UFMT)

Esta apresentação instrumentaliza narrativas que problematizam questões de gênero, raça e poder a fim de que essas temáticas sejam debatidas por alunos de Licenciatura em Letras e que possam instigá-los a um senso de responsabilidade, ética e respeito às diferenças, sejam elas sexuais, raciais, étnicas, religiosas, dentre outras. Para ilustrar isso, tomaremos como objeto de análise dois romances intitulados As Traças (2005), da brasileira Cassandra Rios e The Twelve Tribes of Hattie (2012), da norte-americana Ayana Mattis, verificando as discussões sobre sexualidade, repressão, preconceito racial e opressão que permeiam essas narrativas. Assim, o papel da literatura é estimular o pensamento crítico, a “emancipação intelectual” (RANCIÈRE, 2004) e mediar os saberes com o intuito de diminuir os riscos de argumentações pré-conceituosas e esvaziadas de criticidade. Nesse sentido, ela opera como forma de “agência”, abrindo espaço para transformações tanto pessoais como no âmbito educacional. Biesta (2007) alude que a palavra “educação” não se refere apenas ao que acontece nas escolas e universidades e nem sobre ensino e aprendizagem em sala de aula. Para ele, educação se refere a questões sobre formação dos seres humanos e os modos nos quais eles encontram seu lugar no mundo. É, portanto, essa formação ampla que a literatura pretende proporcionar aos educandos, apontando caminhos para uma metodologia educacional mais libertadora e relevante na contemporaneidade.


OS DESAFIOS NO USO DO LIVRO DIDÁTICO (PNLD): QUESTÕES GLOBAIS X LOCAIS
Marlene de Almeida Augusto de Souza (UFS)

Uma análise superficial do atual processo de globalização pode sugerir que as novas tecnologias têm permitido trocas de informações de tal forma que tornam as sociedades homogêneas. No entanto, há pesquisadores defendendo a ideia de que esse processo é uma mão de via dupla, já que as sociedades afetam e são afetadas nos mais diferentes aspectos. Ou seja, não é possível falar em uma cultura ‘local’ não contaminada, muito menos em uma cultura ‘global’ (Bhabha 1998). Segundo Canagarajah (2005), o olhar sobre o local considerando essa globalização é importante por alguns motivos: (a) o local pode ser silenciado, distorcido, ou reproduzido pelo global; (b) o ‘empoderamento’ do local é levado em conta; (c) o local negocia, modifica e absorve o global de acordo com suas próprias características. Partindo-se desses pressupostos, nesta mesa redonda, pretendo discutir as questões globais e locais que podem emergir a partir do processo de implementação dos livros didáticos de inglês indicados pelo Programa Nacional do Livro Didático.


OS SABERES PRÁTICOS DE SOBREVIVÊNCIA DE PROFESSORES DE INGLÊS EM CONTEXTO DE FORMAÇÃO CONTÍNUA PARA O USO DE AMBIENTES DIGITAIS
Paulo Boa Sorte (UFS)

Esta comunicação discute o conceito de Saberes Práticos de Sobrevivência (GEERTZ, 1983/2009; WOODS, 1990; TARDIF, 2002; BOA SORTE, 2015) no contexto de um projeto de extensão para professores de inglês da Universidade Federal de Sergipe. O projeto, intitulado “Ambientes Digitais: na teoria e na prática de sala de aula”, tem o objetivo de conscientizar professores de inglês da educação básica nas escolas públicas das mudanças promovidas pelo uso de tecnologia a serviço do registro e circulação de informações, além de estabelecer a relação entre teoria e prática de ensino em contexto digital. Os professores participantes, ao longo do curso, produzem atividades pedagógicas usando como fonte e meio de ensino os recursos oferecidos pela internet. Nesta apresentação, analisarei os dados gerados por meio de questionários respondidos pelos participantes, revelando os seus saberes práticos de sobrevivência, que podem explicar os diversos posicionamentos tomados pelo professor a fim de que se sinta mais confortável em sua rotina na escola e com os meios digitais para além das abordagens, métodos e técnicas de ensino difundidas por especialistas e pelo mercado editorial.


DO TRADICIONAL AO PRIMORDIAL: QUESTÕES PARA O ENSINO DE INGLÊS NA ATUALIDADE
Simone Batista (UFRRJ)

Estudos recentes de Letramentos vêm acentuando a necessidade de haver nos tempos atuais um trabalho docente que contribua para a construção de cidadãos éticos, plurais e transculturais. Aplicando ao ensino de língua inglesa na escola formal, busca-se enfocar como se dá a construção dos sentidos na sala de aula e fora dela, o que o sujeito faz com o conhecimento da língua, e as relações de poder transversais à distribuição do conhecimento nas sociedades. Embora esses enfoques sejam necessários, as práticas docentes esbarram ainda em diversos empecilhos – desde a formação inicial tradicional até o preconceito quanto a práticas docentes com focos mais contemporâneos. Assim, nesta mesa, utilizando bases teóricas dos novos estudos de letramentos, quero problematizar a formação de professores de inglês para a educação básica e argumentar em favor da prática docente que priorize a relação entre o sujeito da aprendizagem, a produção de sentidos em sala de aula de língua inglesa, e os impactos éticos, sociais e culturais das práticas semióticas dos sujeitos sociais.


INGLÊS COMO LÍNGUA FRANCA OU COMO LÍNGUA ESTRANGEIRA?
Telma Gimenez (UEL / CNPq)

O uso crescente do inglês em encontros multiculturais, funcionando como uma língua franca global, tem sido estudado sob diferentes enfoques e provocado questionamentos sobre seu ensino como uma língua estrangeira, que toma como referência falantes nativos de variedades de prestígio. Propostas pedagógicas sensíveis a essas novas situações sociolinguísticas, marcadas por múltiplos recursos para produção de sentidos e pelo afastamento das normas dos falantes nativos, se contrapõem aos modelos normativos encontrados em gramáticas e livros didáticos. Nesse panorama, professores se encontram em meio a tensões entre ensinar inglês como língua estrangeira ou como língua franca global. Minha participação na mesa abordará algumas dessas tensões e, longe de apontar soluções, reiterará a necessidade de se explicitar, cada vez mais, o caráter político do ensino de inglês nas escolas públicas.


AQUISIÇÃO DE LÍNGUA ADICIONAL NA PERSPECTIVA DO APRENDIZ
Vera Menezes (UFMG / CNPq)

Nesta palestra, pretendo descrever as principais teorias de aquisição de segunda língua, do behaviorismo à virada sociocultural e, em seguida, propor uma visão complexa do fenômeno como tentativa de comprovar que a aquisição de uma língua não pode ser explicada por uma única teoria, pois cada uma delas aborda um aspecto diferente da aquisição. As teorias serão confrontadas com excertos de narrativas de aprendizagem de espanhol, inglês e português como língua adicional, do corpus do projeto AMFALE, de forma a explicitar a visão dos aprendizes sobre o fenômeno. Será dada ênfase aos conceitos de língua e de aprendizagem e às metáforas predominantes nas diversas teorias. Em relação às metáforas, serão utilizados conceitos da linguística cognitiva, de forma a problematizar a inadequação de se referir à “participação” como metáfora.


USO E PRODUÇÃO DE RECURSOS EDUCACIONAIS ABERTOS PARA O ENSINO DE LÍNGUAS
Vilson J. Leffa (UCPel / CNPq)

Objetos de Aprendizagem (OAs) e, mais recentemente, os Recursos Educacionais Abertos (REAs) têm chamado a atenção dos professores de línguas pelo seu potencial em tornar as atividades da sala de aula mais gratificantes para os alunos. A expansão dos REAs, no entanto, tem sido dificultada por dois problemas recorrentes: (1) a produção de REAs para um contexto específico demanda muito tempo do professor e (2) o uso de REAs prontos não atende às necessidades dos alunos. A solução proposta para resolver esses problemas é a criação de um sistema de autoria que permita aos professores e alunos trabalharem de forma colaborativa, produzindo, remixando, adaptando, distribuindo e compartilhando seus REAs. O sistema proposto, de livre acesso, usa os recursos da computação em nuvem para armazenar os REAs, que podem ser usados por alunos, professores e escolas. Dois princípios orientaram o projeto: (1) colaboração em massa e (2) modularidade elástica, permitindo que uma atividade produzida para um determinado contexto possa ser adaptada para outro. Isso é possível porque os professores, utilizando o sistema de autoria proposto, podem desmontar os REAs em seus componentes básicos, modificar os componentes, reordenar e remontá-los em um novo REA, que é então armazenado no repositório em nuvem para ser redistribuído livremente para outros professores. Os resultados, de acordo com exemplos produzidos e modificados pelos professores, mostram a viabilidade do sistema para diferentes contextos de aprendizagem. Exemplos de REAs, já produzidos por professores, incluindo atividades gamificadas, serão demonstrados.